Liberdade “África-Japão”: São Paulo muda nome da Praça

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Liberdade “África-Japão” busca trazer mais fidelidade para a história da principal praça do bairro da Liberdade na capital paulista.

O Prefeito Ricardo Nunes (MDB) acaba de sancionar um projeto de lei que altera o nome da Praça da Liberdade, localizada no centro de São Paulo e no coração do Bairro Liberdade, para “Liberdade África-Japão”.

A mudança foi publicada no Diário Oficial na última quarta-feira, no dia 31 de Maio e por isso já foi aplicada após a aprovação dos vereadores Reis (PT) e Luana Alves (PSOL) pela Câmara Municipal.

Um pouco de história

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Praça Liberdade África-Japão vista de cima

Se você já passou pelo bairro da Liberdade ou é da cidade de São Paulo, provavelmente deve conhecer a praça hoje como “Japão-Liberdade” – o nome foi alterado (costumava ser Liberdade) em 2018 graças a forte presença da comunidade asiática na área e na influência cultural.

Considerada como a “Chinatown” do Brasil, o bairro da Liberdade tem uma história que de fato aproxima as pessoas asiáticas e sua influência na região, além de possuir uma das maiores comunidadades asiáticas fora da Ásia.

A história do bairro, no entanto, é um pouco mais extensa e complexa.

O bairro, que já foi considerado periferia e também como um aglomerado de regiões e povos, em dado momento foi o abrigo de dois pontos: Pelourinho e o Largo da Forca.

O Pelourinho faz parte da historia da escravidão no Brasil, pois era o lugar onde as pessoas escravizadas eram castigadas; já o Largo da Forca tinha a funcionalidade que o nome sugere, sendo o local onde as mesmas pessoas eram executadas (enforcadas) quando condenadas à pena de morte.

O nome Liberdade, acredita-se, surgiu por conta do Largo da Forca.

Segundo uma das versões da história do bairro, o nome surgiu após Chaguinhas, um soldado afrobrasileiro ter liderado uma rebelião que reinvindicava o aumento salarial. O soldado foi capturado e condenado à forca pela atitude, porém na execução a corda arrebentou três vezes, o que fez com que as pessoas que assistiam o ato gritassem “Liberdade”.

Outra versão da história para o nome do bairro também o associa a comunidade negra, acreditando-se ser uma alusão às reinvidicações de abolicação da escravidão.

A Capela Nossa Senhora dos Aflitos é o único local preservado que se conecta a essas histórias e nos conscientiza sobre a temática, ficando localizado entre a Rua Galvão Bueno e a Rua da Glória, mesmo local em que eram realizados os sepultamentos das pessoas escravizadas, indígenas e os condenados à morte na força, tendo funcionado como cemitério entre 1774 e 1858, até o lançamento do Cemitério da Consolação.

Portugueses, Italianos e por fim, os Japoneses

Bairro da Liberdade em 1970

Antes de ser um local amplamente populado por pessoas orientais – em especial os japoneses, o bairro da liberdade também recebeu imigrantes portugueses e italianos.

Foi só em 1912 quando os primeiros japoneses chegaram ao país, fugindo de uma histórica crise no país originário.

Desde então, com a instalação dos imigrantes orientais e a criação de comércios que atendessem as suas demandas para poderem preservar a própria cultura, o bairro foi se consolidando até se tornar próximo do que conhecemos hoje, em 1970 – se consolidando e se afirmando como “Bairro Oriental”.

Liberdade África-Japão

Como pudemos aprender, trazer África para o nome do bairro é fazer justiça a história ao destacar alguns dos principais acontecimentos na área e aos fatos que mais marcaram o bairro, evitando o esquecimentno de um triste momento da história brasileira e destacando a ascenção de uma importância região que enriquece a diversidade brasileira.

Já conhece o Bairro da Liberdade em São Paulo?

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